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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sob o luar





- Rick, levante-se! Está na hora (diz a Voz).
- Quieto quero dormir! (responde Rick enervado).
- Mas esta é nossa hora! Não pode ignorar-me!!!
Vencido pela insistência da Voz, Rick desce da cama e ajoelha-se, olha debaixo e estendendo os braços agarra uma caixa, trazendo-a à luz.
- Vamos abra logo, quero sair!!! (grita ansiosa a Voz).
- Calma! (retruca relutante Rick)
Ele abre a caixa e retira um saco disforme e ensanguentado e uma pequena ceifa. Coloca o saco na cabeça, empunha a ceifa e, com Voz distorcida, diz satisfeito:
- Mais uma noite do ceifador!
Ri alucinado e percorre a cidade escura e fria, buscando satisfazer seu demoníaco desejo de roubar vidas.
Antes d'alvorada ele retorna banhado em sangue e torna a repousar sob a cama...como sempre!


Ariadne

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Amor Eterno


























Batidas na janela despertam Sheila.
- Sheila é Bob, preciso lhe falar! Sheila abre a janela, um calafrio estremece-a.
- Sheila você me ama?
- Sim, seu bobo! Por quê?
- Você prometeu fazer amor comigo, e que ficaríamos juntos para sempre!
- Sim, mas quando estivesse pronta!
- Que seja hoje! Brilha maravilhosa a lua, seremos banhados por sua prateada luz!
Ante a insistência do amado, Sheila o segue para o ninho de amor escolhido por Bob. Caminham em silêncio, Sheila estranha o trajeto, quando, horrorizada, reconhce o Cemitério da Cidade.
- OH, Bob! Não!!! Não aqui!
- Sim amor, é meu desejo...prometeu-me!
Aterrorizada, segue Bob por entre as lápides, até alcançar uma florida.
- Chegamos; e antes que ela percebesse, abraçou-a forte, enchendo-a de beijos e carícias; logo ambos estavam deitados sobre a lápide coberta de gramas e flores, fazendo amor, contudo Sheila não sentia dor, como ouvira, mas enfraquecia-se, esvaia-se; tentando respirar melhor, moveu a cabeça para o lado, e pode ver, iluminado pela lua, gravado nesta tarde, o nome de seu Bob na lápide. Petrificada o grito de horror morreu em sua garganta, enquanto Bob, olhos vítreos, dizia: Juntos para sempre!
De manhã as buscas por Sheila findaram, quando o Coveiro, achou-a, deitada, inerte sobre a sepultura de seu recentemente falecido namorado.
Um mistério para todos, já que Sheila desconhecia a morte de seu amor. Para polícia, mais um suícidio por coração partido.

Ariadne

Floresta Proibida


























Caroline mudou-se para uma casa beirando uma densa floresta. Ao descarregar suas coisas, um globo caiu e rolou para a floresta, ia buscá-lo, quando repentinamente é agarrada por um velho; gritou e seus pais correram para socorrê-la; o velho então disse:
- É proibido entrar na floresta maldita, quem ousa, não volta!
Caroline riu, mas o velho continuou:
- À 200 anos, uma mulher foi abandonada pelo noivo, que fugiu com sua melhor amiga, desesperada, fugiu para a floresta e enforcou-se no carvalho retorcido; dizem que na hora da morte fez um pacto, com o Abandonado, levaria todos que pudesse entregando suas almas e sangue, pela oportunidade de achar os dois culpados de sua miséria, e desde então, quem entra não volta.
Caroline debochou do velho supeticioso, mas ele, ao partir, ainda gritou:
- Preveni você!
À noite, Caroline só pensava em explorar a floresta e provar que o velho era doido. Ao perceber que todos dormiam, partiu. Vagou, feliz concluindo que o velho era doido e ela estava certa, menina da cidade se assustar com folclore?! Até que farfalhar de pé nas folhagens a sobressaltou! Escondeu-se num tronco oco e então viu...uma mulher de vestido rubro, ou que parecia banhado em algo sanguinolento que deixava odor nauseabundo....ela estava atenta a algo, repentinamente salto e com garras infernais, agarrou um gamo, cravou suas presas enormes e potiagudas, estraçalando o pescoço do animal que contorcia-se no solo,empapando-o de sangue. Enluquecida de terror, Coroline quiz fugir, mas pisou num galho seco, ao elevar os olhos, viu a criatura olhando diretamente para ela, olhos rutilantes, boca escorrendo sangue enquanto sorria famélica, sugeitando o gamo nas garras. Caroline correu o mais que pode, mas ao virar-se para abrir a porta deu de cara com "ela" que faminta olhava-a,como um especto infernal, enquanto sangue escorria de sua boca ao colo; disse a Caroline, congelada de pavor:
- Devorarei tua alma hoje!
Agarrou Caroline e arrastou-a pelos cabelos até a Árvore dos Malditos no centro da floreta, sempre sorrindo com dentes bestiais, acariciou os ruivos cabelos de Caroline e a beijou nos lábios, sugando sua vida e entregano sua alma ao Abandonado, ao poucos Caroline secava como uma múmia, antes do fim a criatura trevosa, arrancou o coração e o devorou ainda pulsante, e agora Caroline não passava de um amontoado de gravetos, como muitos outros, aos pés da retorcida Árvore dos Malditos.
Nunca mais se teve notícias dela, apenas lacas e marcas de unhas arranhando do piso à floresta.

Ariadne

O Jantar




Andava apressado, não poderia perder o metrô, ou teria problemas com Elena; ela andava alienada ultimamente, com idéias estranhas...talvez fosse o recente parto de Julie, tão linda, mas a deixava inquieta e perturbada.
Chegou na hora do jantar e Elena disse:
- Lave-se, o jantar está quase pronto.
O cheiro estava delicioso e antes de banhar-se, foi brincar com seu velho amigo Max, um belga à muito da família, não o encontrou....deve ter fugido de novo para namorar, pensou...logo voltará!....bem, Julie àquela hora dormia e resolveu dar-lhe o beijo de boa noite, quando fosse dormir também.
Elena estava mais estranha que o "habitual", serviu-lhe ensopado de carne com legumes que devorou faminto; ela olhava fixamente a pia e, para puxar conversa, perguntou do Max. Ela disse:
- Aqui. ....
- Aqui?! onde? ( não o vira ao chegar ).
Só então reparou o que a mulher insistentemente olhava, levantou-se horrorizado, sangue manchava toda superfície da pia, caiu ajoelhado, vomitando e, aos berros, perguntou:
- O que fez?!
Pensamento terrível ocorreu-lhe, correu desesperado para o quarto da pequena Julie que, dormia como anjo que era. Trancou a porta do quarto da filha e ligou para John, irmão de Elena....voltou para a cozinha, Elena, de pé, mantinha as mãos na pia, naquele rubro mar sanguineo....aproximou-se mais e ...
Oh! horror!!!...na pia a cabeça de Max, lingua estirada para fora, olhos vazios....
Olhou, aterrado, do cão para a mulher, ela agora com um cutelo nas mãos sangrentas, ia na direção do marido petrificado dizendo:
- Preciso terminar o jantar!

Ariadne

Vale de Sombras

























Andando pelos negros, profundos e inexplorados vales de minha sombria alma, encontrei um fantasma....distorcido, opaco, sentava-se numa rocha, junto a um lago sangrento e incandescente....chorava! Aproximei-me, as borbulhas incandescentes do lago sanguíneo, queimavam-me e manchavam meus negros crepes, a tormenta sempre constante, repentinamente aquietou...virei-me e de repente a esmaecida silueta surgiu a minha frente, perguntando-me:
- que fizes-te de mim? maculou-me, deformou-me, transfigurou meu mundo num abismo infernal....causticante, povoado de misérias, dor, desespero!....desespere-te agora que teu reinado finda.
O espectro segurou meu rosto, tampando meus olhos, e nessa escuridão induzida pude ver minha outrora vida perdida....sonhos, esperanças...risos....e ao ver...toda infernal realidade que criara, era sugada para minha mente, o espectro largou-me e ao abrir os olhos ensanguentados e embaciados, vi que todo seu aspecto, havia mudado...fime, bela, forte, parecia-se comigo, a de outrora, e aterrada, vi....o mundo que construí, nas ruínas... sumira, tudo resplandecia, verdejava....havia apenas um pequeno e profundo buraco no chão....e eu disse para mim, agora distorcida e esmaecida:
- guardei este lugar....para enterrar-te de vez! Empurrou-me, lançando terra e grama, sepultando-me e meu mundo, naquela brecha onde permaneceria por toda eternidade. Abri meus olhos, levantei da cama, a qual aprisionara-me livremente, tomei um longo e reconfortante banho e fui para o jardim, algumas plantas murchavam....acerquei-me delas e comecei a replantar, regar, sorrir...viver!

Ariadne

A Casa da Floresta




























Desorientado, Armand, caminhava por uma extensa trilha de terra batida, permeada por densa e bela vegetação.
Aflito procurava algo que lhe escapava à memória, mas não ao coração, este, apertado no peito, sufocava-o na ânsia e expectativa de encontrar o que desconhecia, que era-lhe indispensável à existência. Vagou, aturdido, ao que lhe pareceram horas, num espetacular campo verdejante, recoberto de flores e arbustos frutíferos...um fleche: lindo e angelical rosto feminino, sorrindo lhe oferecia uma daquelas amoras pendentes no arbusto. Pálido, coração galopante, tinha certeza que o que procurava era ela, mas...onde? A visão dela cortara-lhe a mente! Fagulhas incandescentes mostravam-lhe uma ventura inenarrável, porém, estranhamente esquecida! Aquela terrível dor de cabeça incessante o enlouquecia,levou a mão à cabeça e sentiu-a úmida, apavorou-se ao ver sangue! Teria caído e, ao bater a cabeça esquecera-se de tudo? Mesmo de alguém que lhe parecia marcada à fogo em seu coração? Precisava encontrar a resposta...olhou ao redor e parecia familiar, caminhou instintivamente e ao longe, divisou um lindo casarão! Um relâmpago de esperança :reconhecia a casa! Correu para lá, abrindo bruscamente a porta de madeira maciça e procurou, vasculhou sem nada perceber, até notar um enorme quadro em cima da lareira,...caminhou, até ele e viu-se ao lado da bela jovem que enchia sua memória devastada, reconheceu sua adorada esposa! As lembranças voltavam enquanto lágrimas transbordavam de seus olhos; desesperou-se e avançou para a escada que dava acesso ao andar superior, subiu-a, saltando degraus....viu a porta do quarto principal, empurrou- a , e viu, chocado, nos alvos e macios lençóis de seda, o corpo inerte de sua adorada Sophie! Nem mesmo a mortalha lhe roubava a beleza...atirou-se sobre ela e tentou beijar-lhe a face marmórea e fria....inutilmente... não conseguia tocá-la, embora tentasse. Angustiado, olhava ensandecido, ao redor procurando uma explicação, quando percebeu uma perna, estirada ao lado oposto à cama, dirigiu-se até lá, e...viu-se, caído morto, uma arma na mão direita; arregalou os olhos e tocou novamente a cabeça que sangrava...como era possível! Ao ver uma carta aberta perto de sua mão esquerda, inclinou-se e leu " Meu amor, por favor volte rápido! Sinto-me cada vez mais fraca, a tuberculose avançou, tenho medo de não conseguir despedir-me de você. Com eterno amor. Sophie." Fechou os chorosos olhos, apertando-os como se isso fosse afastar a dantesca verdade....o terrível pesadelo! Lembrou-se de receber a carta enquanto negociava os vinhos de seus vinhedos, planejava levar Sophie às montanhas, esperava que novos ares restituíssem a saúde da amada, ao ler a carta retornara ao lar, imediatamente, mas chegara tarde...enlouquecido pela dor e desespero, findou a própria vida...ajoelhado, agora, ao lado de seu cadáver, ergueu as mãos tremulas, enterrando-as nos enbaraçados cabelos e gritou: Não!

Ariadne

O Lago









































Vinha, Cedryc, galopando pela floresta, quando ouviu um choro.
Parou, aguçou o ouvido...misturado ao farfalhar das árvores, havia um pungente choro. Curioso, dirigiu-se ao centro da floresta, a despeito dos avisos para evitá-la, não acreditava em supertições...avançou mais, até chegar à um lago, oculto no coração da floresta; à beira desse, uma linda e desolada mulher, tocava a água tentando, em vão, alcançar algo...aproximou-se e constatou o quanto era linda! Ao vê-lo, suplicou que a ajudasse a pegar seu cordão que caíra ao banhar-se.
Seduzido pela beleza dela, ele prontamente inclinou-se para buscar a jóia. Mas ao ver o reflexo de ambos n'água, surpreendeu-se...a linda mulher ao seu lado, estranhamente, refletia disforme, ressecada, olhos vazios, presas...olhou à que estava ao seu lado, e permanecia bela como antes, não aquele reflexo horrendo! Olhou para a água e notou que aquela "coisa" refletida, movia os lábios como se fosse sugar ou aspirar e sentiu-se tonto, enfraquecido...começou a sufocar e secar. À medida que murchava, o reflexo rejuvenescia, igualando-se à bela sentada à margem.
Cedryc secou até tornar-se um monte de pó e cascalho no chão ao lado da jovem que lhe pedira socorro e que, agora, semeava o lago com as cinzas de seu benfeitor.


Ariadne.