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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Alimento




Na desesperada busca
por saciedade
rompo minhas veias
e sorvo o poluído, desgastado
e quase insípido sangue.

Que confere vida,
desejo, ânsia e dependência...
Necessito de seu calor
de seu sabor metálico
e viscosidade ardente!

Trancada em meu quarto
não encontro meios de saciar
a sede incontrolável e bebo-me
ansiosa, faminta, desesperada!
Mas não me satisfaço...

O sangue está insípido
desprovido da plenitude de um
vindo de alguém cheio de vida
frescor, sonhos, entusiasmo
alegria!

Desesperada na infrutífera
tentativa de fugir e obter
o precioso líquido rubro
quebro o espelho do banheiro
e findo meu martírio degolando-me.

Ainda pude ter nos
instantes finais
a adorada dor, o amado odor
a bela cor tingindo minha face
uma última vez!.



Ariadne

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Inferno




Subi ao cume das paixões
para ver nos corações
as marcas dos dissabores!
 Vivi horas de horror...
Quantas ilusões perdidas!

Pasmo, passo agora, sôfrego a lutar
e ao lume da brasa densa
espelho apenas de minha nudez, insensatez
crueldade, vilania e sordidez
pergunto-me:

Para onde vou luz do dia?
tu que para mim sorrias
por onde anda tua luz?
Nenhuma resposta obtenho,
mas com brilho feérico e sombrio

Estranha e bizarra entidade
às gargalhadas grita-me:
prisões, mentiras e ruínas
derramaste á tua passagem.
Dizia à todos: Venham à mim!

Sou aquele a quem buscais!
o representante da glória e poder celestiais!
Ajoelhem-se, cubram-me
com ricos mantos, adornem-me de jóias,
e obtereis seus desejos mais insanos!

Agora procuras a Claridade?!
Tú, ser das trevas?
Já que suplicas à Luz
Tome-A e cegue teus olhos
com a visão infernal dos crimes teus!

Tomado de pavor gritei:
-Oh horror! Por favor
cesse a Luz, ocultem meus
crimes infames! Afastem essas
macilentas faces cobrando-me reparação!

Suplico-te criatura infernal...
Arranca-me os olhos
Não me obrigues a ver este mal
estas pobres vítimas exibindo-me
a dor, desgraça e a mutilação que causei!

Com riso demoníaco
 o Ser das Trevas responde
ao desesperado infrator:
- Engana-te, verme, ao pedir-me
a cegueira como fuga aos crimes teus!

No Inferno cada um cozinha
na caldeira que ergueu!
Recolhas os frutos semeados
e sustenta-te com eles
eternamente!


Ariadne

domingo, 16 de outubro de 2011

O Espectro




Nas noites de luar
a claridade prateada e
convidativa da lua
ilumina estranho ser
a vagar...

Por entre criptas, mausoléus e murchos arbustos
pôe-se a observar o trânsito
barulhento e displicente de
jovens alheios à sua presença
e aos seus desejos!

Anseia provar a carne jovem
e sorver o delicioso e quente
licor vivificante, sobretudo
anseia desesperadamente
sugar suas almas sonhadoras...

Ela quer o que lhe foi
tirado à séculos por fanáticos
e covardes inquisidores, cruéis
serviçais do mal, da ganância
e da vilania...

Mas hoje, perambula, àvida!
Oculta na eterna noite e
mergulhada em cruenta obscuridade
busca subjugar os desavisados
que vagueiam por seus domínios.

Capturando-os e alimentando-se
de seus corpos e almas,
a criatura das sombras agora
dispersa os restos ressequidos
de suas vítimas na terra

Àrida, estéril e amaldiçoada
de seu eterno lar,
desde a partida de seu mestre
e amante, à chegada da horda
assassina e ignorante!

Julgaram-na ser bruxa
e queimaram-na na fogueira
aos gritos e maldições,
desconhecendo que a vingança cruel
faria dela a mais terrivel e real lenda local!



Ariadne

domingo, 9 de outubro de 2011

Consequências do amor



Flutuando num mar sanguíneo
estava a doce lady
que abriu seu coração 
ao traidor ímpio.

Que com garras ferozes
subtrae sua candura,
sua crença , suas posses
e sua vida!

Agora jaz, lívida e estática
no lago d'antes refúgio
de encontros românticos
armadilha do golpista.

Morta está Clarice,
e seu sangue colori de rubro
as pálidas rosas da esperança perdida
nas punhaladas de seu amante.


Ariadne



Alma perdida




Totalmente mergulhada no fosso da desesperança e morte!
Caindo...
Sequer vejo resquícios de alguma luz ou fenda onde agarrar!
Caindo eternamente...


Ariadne

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Azrael





Vejo um anjo aproximando-se
enormes e brilhantes asas
rosto sereno, olhar distante....
numa mão traz uma estrela
noutra uma ceifa.

Ao Seu redor nuvens
de almas arrebatadas
entoam cânticos à Alvorada
da vida nova que inicia

Longe, livre desta prisão nojenta
divirtam-se vermes
roendo-me os ossos, rompendo-me as fibras
eu, livre, alcançarei triunfante
o ignoto, o aguardado!

Ariadne