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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Desencanto





Às vezes, logo ao te ver foge-me o tato
e não consigo sequer segurar tua mão
culpa-me seja esse o retrato,
o fato, que me leva à solidão.

Vão-se as tristes sombras que se embalam
ao rito dos sonhos que são meus
e tu não vês que as sombras que me amparam
são as mesmas que embalam os sonhos teus.

Não quero ser cruel por desencanto...
Sejas mais fiel ao sonho teu
não entregues mais ao abandono
aquele que por ti reviveu.



Ariadne

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cigana




Cigana, tu és a marca de meus sonhos:
- a saudade que ficou,
- as correntes que me prendem,
- a dor que ainda restou...

És como a pomba que alto voa,
a procura de um ninho,
a estrela luminosa
que clareia meus caminhos!

A verdade e a mentira,
do mundo que não deixei,
a princesa que adoro,
as lágrimas que já chorei.

Não quero dizer adeus,
pois sempre voltas pra mim.
És como a brisa que sopra
de um amor que não tem fim.

Marcas meu coração,
por um bem de quem engana.
Não posso mais me esconder
dos teus olhos negros, Cigana!



Ariadne

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A Árvore dos Sonhos



De cada ser que
almeja, planeja, deseja,
mas ao longo da jornada
abandona seus ideais
relegando-os ao esquecimento

Surge na Árvore dos Sonhos
um galho, uma imagem, um nó a mais
dos projetos abandonados, dos sonhos esquecidos
Ela mantêm resguardados em seu íntimo
os tesouros desprezados por todos!

É a Grande Mãe dos sonhos órfãos e
Guardiã das Grandiosas Ambições humanas!
Da alegria, inocência e felicidades perdidas...
Seus galhos abrigam tudo que foi
gerado, mas nunca executado!

Quando o vento balança Sua copa soberana
ouvem-se o triste lamento daqueles
que foram abandonados ou esquecidos
por seus genitores; que passam a vida
a buscar, sem cessar por algo a lhes completar...

Permanecem com a sensação de
vazio, intranquilidade, frustração
pois sua essência criativa repousa
longe deles, em galhos mais amorosos.
Tornam-se, então, incompletos 

sempre buscando e jamais encontrando
a plenitude, realização e paz
esqueceram-se de rogar ao
soberano Ser Guardião dos deserdados sonhos
que lhes devolva a essência abandonada!




Ariadne

Você



Queimei tuas fotos
tuas cartas e bilhetes
pois acreditava que o fogo
me libertaria de tua presença
impressa em minh'alma.

Mas, oh Deus! Tal gesto insano
inflamou mais meu peito e agora
recolho e guardo as cinzas dos
dizeres teus numa caixa, como tesouro
e o amor que te devoto continua aqui,

pulsando, gritando, enlouquecendo...
Tentei de tudo para deixar-te,
mas as correntes com que me atou
são tão fortes quanto meu
desejo de permanecer atada!

Triste sina a dos apaixonados!
Sempre a arder em invisíveis chamas
consumindo-se sem desaparecer!
E nas atitudes frias e distantes
de seus amados enchem-se de tristeza e dor...

Haverá um remédio, uma cura
miraculosa que liberte os
apaixonados deste cruel grilhão?
Que possa nos conferir a liberdade,
a paz e a felicidade?



Ariadne

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A busca




Refletindo sobre coisas da vida
vi uma menina igual a mim,
fazendo o mesmo!

Tentei saber dela as respostas
à tantas e diferentes dúvidas
mas não obtive resposta.

Ao tentar alcançá-la,
caí dentro dela e seu
formato se dissipou em

Milhares de pequenas ondas ...
balancei-me, sacudi os braços
pedi socorro e a resposta

Foi o eco de minha própria voz.
A "outra" se fora e eu fiquei!
Submersa, envolta por denso líquido

Foi quando uma luz
brilhou em meu ser!
As respostas que eu buscava,

Sempre estiveram em mim!
E só agora percebo isso
com alegria e tristeza,

Já que, molhada e solitária
mergulhando cada vez mais na escuridão
encontro a iluminação!



Ariadne

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Dragão Vermelho




Céu de outono
segundos antes d'alvorada
o límpido e profundo azul
se incendeia com as chamas
vermelhas de Sol ardente!

Espalhando-se timidamente
como um pincel vai
pintando a imensa tela azul
de rajadas vermelhas fulgurantes
entre cedosas e marmóreas núvens.

Assim és tu, meu adorado!
Olhos límpidos e profundamente azuis
maravilhosos e incomparáveis cabelos ruivos
descendo por seus ombros
como uma cachoeira ardente!

Em ondas sinuosas e hipnóticas,
iluminando-te e ao ambiente...
quando sacudidos pelo vento,
libera fagulhas inclementes
incendiando minha antes segura e plácida vida!

Você é como um ser mítico,
um semi-deus de andar altivo
corpo escultural, voz trovejante...
tem ornada a cabeça, pelos deuses
de incomparável coroa solar...

Uma verdadeira visão
de ser fantástico que habita
Altas Esferas e que de vez em quando
ilumina, arrasta, enlouquece...
indefesas, sequiosas e desesperadas mortais!

Um beijo, um toque...
sentir o perfume de seus cabelos e,
me queimaria inteira de desejo
na pira flamejante de teu corpo!
Não me importo! Quero-te!

Quero arder... me consumir!
Absorver e ser absorvida
Juntar-me à sua essência...
Não busco absolvição mas
a dissolução no teu ser!



Ariadne


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Herança





Herdeiros de Licão
raça poderosa e orgulhosa
reinamos na noite sombria

Guardiões da morte
somos dentre todos
os mais vivos e livres!

Tenho teu cheiro em meu focinho
teu pulso em meu ouvido
tua cor sinaliza aos meus olhos!

Não há fuga ao me avistar
não há clemência ao te alcançar
sou a morte, a dor, o horror!

Mas para alguns,
sou a saída, a transformação
a porta para outra vida!



Ariadne










sábado, 15 de outubro de 2011

Aos Céus




Apenas um menino sonhador...
cabelos ao vento
sapatos desamarrados...

O mundo era seu,
um imenso parque
com incríveis descobertas

Mas esta pequena ave
teve suas asas arrancadas
por covarde e cruel

Besta humana, 
cujo espírito corrompido,
infecta  a humanidade...

Mas agora ele alça
voôs mais altos e majestosos
nas asas da imortalidade!


Ariadne

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ilusões





Nas tuas teias enredei-me,
nas tuas formas acorrentei-me...
nos teus lábios, perdi-me!

A vida passou a ser
uma eterna busca
por ti...

Em tudo e em toda parte,
ansiando, aguardando
procurando...

Quisera achar-te e
reter-te comigo mas
tu não passas de diáfana visão...

Um paraíso particular
repleto de sensações e delícias
jamais sentidas, nunca provadas...

Um sonho jamais atingido!
o ideal nunca encontrado...
a portadora da minha chama!


Ariadne


domingo, 9 de outubro de 2011

Consequências do amor



Flutuando num mar sanguíneo
estava a doce lady
que abriu seu coração 
ao traidor ímpio.

Que com garras ferozes
subtrae sua candura,
sua crença , suas posses
e sua vida!

Agora jaz, lívida e estática
no lago d'antes refúgio
de encontros românticos
armadilha do golpista.

Morta está Clarice,
e seu sangue colori de rubro
as pálidas rosas da esperança perdida
nas punhaladas de seu amante.


Ariadne



Alma perdida




Totalmente mergulhada no fosso da desesperança e morte!
Caindo...
Sequer vejo resquícios de alguma luz ou fenda onde agarrar!
Caindo eternamente...


Ariadne

domingo, 31 de julho de 2011

Perfume




Ele passou...
e o rastro de seu perfume
impregnou-me!
Sentidos despertos

Virei os olhos, 
acompanhando 
a cadência perturbadora
de seus movimentos...

Minh'alma mergulhada
em seu cheiro, suor...perfume...
e meu corpo palpitando
de desejo, insatisfeito!


Ariadne

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Carência


 

Caminhava na escuridão
envolto em seus negros crepes...
podia ouvir a respiração, o pulso
daquela cujo licor sanguíneo
saciaria sua sede.

A mortalha descera sobre
sua alma à séculos...
carecia de tudo que
aos demais sobejava:
alegria, esperança, expectativa...

Seu caminhar pelo negrume noturo
era cadente e monótono...
algo à que se acostumara
em séculos de caçada.
Apenas não esperava

Ao aproximar-se dela
que o odor de sua pele
o brilho de seus olhos
o capturasse como
a um pássaro!

Viu-se preso...
de novas sensações
à muito esquecidas,
o caçador tornou-se presa!
Preso aos encantos dela...

Não a bebeu, não a matou
admirou-a...
Deixou-se envolver
na quente e vaporosa
presença dela!


Ariadne

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

No espaço




No espaço que me prende,
vazio mar...solidão,
a luz que não mais se acende,
amor de mim...ilusão!

No espaço que me prende,
quero ouvir tua voz....
quero plantar a semente
quero desatar os nós...

No espaço que me prende,
sou livre, sem liberdade,
sou escravo de um sonho,
sinto de ti saudade.

No espaço que me prende,
estou perto de tudo e nada....
dos lugares que passei,
nesta minha caminhada.

No espaço que me prende,
preso estou por covardia...
não sei se falo de amor,....
e, por amor o que faria?

No espaço que me prende,
não sou nada...nem ninguém...
somente a sombra que vaga...
à procura de um bem.

Ariadne

Segredo




Tenho na alma um segredo
e na vida um quebranto,
Um duradouro amor 
num momento nascido,

é mal sem esperança, e o silêncio tanto
que essa que assim o fez
de nada tem sabido.
Ai de mim! passarei dela despercebido...

junto dela, a seu lado e solitário...entanto
e até o fim viverei sobre a terra ,
em meu canto.
Nada ousando pedir...nada logrando obter...

Ainda que a tenha Deus
doce e terna criado...
por seu gosto ela vai...
distraída ao meu lado...

Presa à austero dever,
que fielmente zela...
ela irá, ao ler meus versos
cheios dela, perguntar :

- Quem é essa afinal ?

Ariadne

Procurei



Procurei por ti , flor do dia,
entre as encantadas fontes.
desdobrei-me em agonias,
ao sol dos montes.

Andei por todo lugar,
procurando te encontrar,
flor minha!
mas não sei por que

mal ou desvelo, não soubestes
a que vinhas.
E num repente matreiro,
surgistes.....

a me conquistar,
não nego, a mim foi difícil,
mas aceitarei te amar.
E agora sonho em vão

e continuo a procurar...
quem sabe em teu coração,
o amor, o quanto durará?


Ariadne

Ânsia




Teu corpo escultural
Tua pela alva e macia
Demonstram os prazeres

Que aos teus devotos propicia!
Ah!...se tu soubesses
A ânsia que me devora o peito

A sede de seus doces beijos
Cederia-me, ligeiro,
Teu olhar faceiro.

Ariadne

Essência


 



Há um estranho ser que habita
cá dentro em meu reino pessoal
range, alucina, grita
ri-se, enlouquecido
em ardente vendaval.

Arruína minha esperança
transforma-me em fera
rutilantes olhos, afiadas presas
esgueirando, tateando, farejando...
faminto!

Sanguissedento dos licores da vida
sinto abrir-me o peito à horda
maltrapilha e suja
turba maldita que dormita
sob a pele, nas entranhas....fervilha

Cruento, desalmado demônio
buscando, caçando, sugando
roubando fragmentos de outros, para
construir o seu próprio
castelo de carne e sangue,

Mantendo, assim aprisionadas
as almas torturadas
das desafortunadas vítimas.
 
 
Ariadne

Azrael





Vejo um anjo aproximando-se
enormes e brilhantes asas
rosto sereno, olhar distante....
numa mão traz uma estrela
noutra uma ceifa.

Ao Seu redor nuvens
de almas arrebatadas
entoam cânticos à Alvorada
da vida nova que inicia

Longe, livre desta prisão nojenta
divirtam-se vermes
roendo-me os ossos, rompendo-me as fibras
eu, livre, alcançarei triunfante
o ignoto, o aguardado!

Ariadne

Abandono


  


Mergulhada em denso lamaçal
olhava e via do fundo do fosso
luz diáfana, distante, virginal...

Mas não me alcançava
amparava...acudia
antes, mostrava-me mais
claramente minhas chagas.

Sem socorro, sem amparo
enterrei-me mais e,
mais distante
a distante luz ficou.

Na treva e lama
encontrei braços desesperados, como eu...
abraçaram-me e puxaram-me mais
para baixo, para o lar dos desditosos, os exilados!

Aqueles braços, magros
horrendos, macilentos
eram mais próximos
que a brilhante, virginal luz distante...

Neles encontrei apoio
socorro das dores, nas
dores deles.

E todos nós formamos
o denso, incomparável, invencível
exército dos desgraçados, que
pululam por toda parte...
Deserdados da luz santificante!

Ariadne